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TECNOLOGIA ASSISTIVA NA EDUCAÇÃO
M
Declaro que sou autor (a) zero deste Trabalho de
Conclusão de Curso. Declaro também que o mesmo foi por mim elaborado e
integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja parcial ou
integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas
consultadas e corretamente referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos
dados resultaram de investigações empíricas por mim realizadas para fins de
produção deste trabalho.
Assim,
declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e
administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime
de plágio ou violação aos direitos autorais. (Consulte a 3ª Cláusula, § 4º, do
Contrato de Prestação de Serviços).
RESUMO- Num
mundo em profundas e aceleradas transformações, a tecnologia assistiva emerge
como uma área do conhecimento e de pesquisa que tem revelado como um importante
horizonte de novas possibilidades para a autonomia e inclusão social das
pessoas com deficiência. A tecnologia assistiva é uma área do conhecimento de
característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias,
estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade
relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidade
ou mobilidade reduzida, independência, qualidade de vida e inclusão social
visando sua autonomia, simplificando; podemos definir tecnologias assistiva
como tudo aquilo que é criado para ajudar pessoas com deficiência a terem independentes
e serem incluídas , seja proporcionando ou ampliando suas a habilidades de se
comunicar , ouvir, ver, andar ou tocar. A tecnologia assistiva é uma expressão
nova se refere a um conceito em pleno processo e sistematização.
PALAVRAS-CHAVE:
Inclusão Social. Tecnologia
Assistiva. Alunos com Deficiência.
1
INTRODUÇÃO
O que é tecnologia assistiva? TA é um termo ainda novo, utilizado para identificar todo artesanal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e promover vida independente e inclusão. É também conhecida como “uma ampla gama de equipamentos, serviços, estratégias e práticas concebidas e aplicadas para minorar os problemas encontrados pelos indivíduos com deficiência”. No Brasil, o comitê de ajudas técnicas – CAT, instituto pela portaria n° 142, de 16 de novembro de 2006 propõe o seguinte para a tecnologia assistiva: ’’ Tecnologia assistiva são uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade relacionada às atividades e participação de pessoas com deficiência, incapacidade ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social “(ATA VII- Comitê de ajudas técnicas (CAT)- Coordenadora nacional para integração da pessoa com portadora de deficiência (CORDE)- secretaria especial dos direitos humanos – presidências da república.
Num sentido amplo percebemos que a evolução tecnológica caminha na direção de tornar a vida mais fácil. Sem nos apercebermos utilizamos constantemente ferramentas que foram especialmente desenvolvidas para favorecer e simplificar as atividades do cotidiano, como os talheres, canetas, computadores, controle remoto, automóveis, telefones celulares, relógio, enfim, uma interminável lista de recursos, que já estão assimilados à nossa rotina e, num senso geral, “são instrumentos que facilitam nosso desempenho em funções pretendidas”. Introduzirmos o conceito da TA com a seguinte citação: “Para as pessoas sem deficiência a tecnologia torna as coisas mais fáceis. Para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna as coisas possíveis”. (RADABAUGH, 1993).
As pessoas com deficiência ao utilizarem da Tecnologia Assistiva, em especial no âmbito escolar, adquirem autonomia, independência para realização de atividades tanto na escola quanto fora dela. Para tanto, se faz necessário o acompanhamento do aluno no momento da utilização de qualquer recurso tecnológico, com intuito, de ajudá-lo na adaptação do mesmo. É fundamental, neste caso, que haja um professor especializado ou capacitado que entenda as especificidades de cada deficiência e possa ajudar o aluno na adaptação , assim como, na interação com os demais colegas em sala de aula. A inserção de pessoas com deficiência na rede regular de ensino exige que a escola se adapte as necessidades desse aluno realizando o acompanhamento em tempo integral, assim como, a preparação de todos os funcionários que fazem parte da instituição escolar, importante para que não haja qualquer tipo de discriminação, tanto dentro, quanto fora da sala de aula.
Em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu artigo 55, afirma como obrigação dos pais ou responsável “matricular seus filhos na rede regular de ensino” e complementa no seu art. 5º que “nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais”. Segundo Alves e Matsukura (2011, p.27), “o período escolar é caracterizado como uma importante fase para o desempenho ocupacional da criança, pois, o ingresso à escola faz com que esta seja reconhecida pela sua capacidade de realizar tarefas valorizadas em seu meio.” Além disso, crescem expectativas quanto ao meio social e a comunicação entre professor/aluno e aluno/aluno, torna imprescindíveis para que a criança se adapte ao novo meio.
Este trabalho se propõe a investigar a aplicação dos
recursos provenientes da Tecnologia Assistiva – área do conhecimento - como
instrumento de inclusão escolar da pessoa com deficiência. O objetivo é
demonstrar suas contribuições enquanto meio de inclusão no cotidiano escolar,
seja no ensino regular ou em outros espaços educacionais.
Cada vez com maior clareza a Educação Geral
considera a necessidade de que todos os alunos recebam uma educação de
qualidade centrada na atenção das suas necessidades individuais (Booth y Ainscow,
1998). Objetivo que coincide plenamente com a finalidade da educação inclusiva,
posto que reconheça a diversidade existente entre os alunos de uma classe,
determinando que eles recebam uma educação de acordo com suas características,
uma vez que incrementa as possibilidades de aprendizagem para todos (Daniels y
Garner, 1999, Stainback & Stainback y Moravec, 1999). A filosofia da
inclusão defende uma educação eficaz para todos, sustentada em que as escolas,
enquanto comunidades educativas devem satisfazer as necessidades de todos os
alunos, sejam quais forem as suas características pessoais, psicológicas ou
sociais (com independência de ter ou não deficiência).
Nesse caso realizou-se uma revisão de
literatura com enfoque principal em: BERSCH (2013), GALVÃO FILHO (2009), ARNAIZ
SÁNCHEZ (2005), entre outras bibliografias de interesse da área. Nesse sentido
evidencia-se o uso da Tecnologia Assistiva nos processos de aprendizagem das
pessoas com deficiência, verificando os modos como se dá o emprego dos vários
segmentos do conhecimento, técnicas, métodos, equipamentos, tecnologias e
conhecimentos afetos, na perspectiva de incluir as pessoas com deficiência no
mundo da aprendizagem. Disso, conclui-se que esta área de conhecimento
constitui-se em meio eficiente na facilitação da aprendizagem e da educação
desses estudantes.
2
DESENVOLVIMENTO
2.1 Aspectos históricos da tecnologia assistiva (TA)
A Tecnologia Assistiva é um tema ainda com poucas referências. O termo assistive Techonology, traduzido no Brasil como Tecnologia Assistiva, foi criado em 1988 elementos jurídico dentro da legislação norte – Americana conhecida como Public. Law 100-407 e foi renovada em 1998. Apesar de a legislação brasileira apontar para o direito do cidadão com deficiência da concessão dos recursos de tecnologia assistiva dos quais necessita, estamos no início de um trabalho para o reconhecimento e estruturação desta área de conhecimento em nosso país. Importantes estão acontecendo nestes últimos anos
2.2. A Legislação Brasileira em TA e as Ações Governamentais
Apesar de a legislação brasileira apontar para o direito do cidadão com deficiência da concessão dos recursos de tecnologia assistiva dos quais necessita, estamos no início de um trabalho para o reconhecimento e estruturação desta área de conhecimento em nosso país. Inicial também é o estágio de incentivos à pesquisa e à produção nacional de recursos de TA, que venham a atender a grande demanda reprimida existente, no entanto, passos importantes estão acontecendo nestes últimos anos. No que se refere à legislação nacional podemos mencionar a promulgação do Decreto 3.298 de 1999, que no artigo 19, fala do direito do cidadão brasileiro com deficiência às Ajudas Técnicas. Nele consta que: “Consideram-se ajudas técnicas, para os efeitos deste Decreto, os elementos que permitem compensar uma ou mais limitações funcionais motoras, sensoriais ou mentais da pessoa portadora de deficiência, com o objetivo de permitir-lhe superar as barreiras da comunicação e da mobilidade e de possibilitar sua plena inclusão social.
Parágrafo único.
São ajudas técnicas:
I - próteses auditivas, visuais e físicas;
II - órteses que favoreçam a adequação funcional;
III - equipamentos e elementos necessários à terapia e reabilitação da pessoa portadora de deficiência;
IV - equipamentos, maquinarias e utensílios de trabalho especialmente desenhados ou adaptados para uso por pessoa portadora de deficiência;
V - elementos de mobilidade, cuidado e higiene pessoal necessários para facilitar a autonomia e a segurança da pessoa portadora de deficiência;
VI - elementos especiais para facilitar a comunicação, a informação e a sinalização para pessoa portadora de deficiência;
VII - equipamentos e material pedagógico especial para educação, capacitação e recreação da pessoa portadora de deficiência;
“VIII - adaptações ambientais e outras que garantam o acesso, a melhoria funcional e a autonomia pessoal; e IX - bolsas coletoras para os portadores de ostomia.” (LIMA. 2007).
Embora esse comitê leve a expressão
“Ajudas Técnicas” em sua denominação, também porque é a expressão prevista na
legislação brasileira os estudos desenvolvidos por ele apontam e sugerem que as
expressões “Tecnologia Assistiva”, “Ajudas Técnicas” e “Tecnologia de Apoio”,
neste momento, continuem sendo entendidas como sinônimos, como normalmente são
encontrados, e que correspondam às bases conceituais aprovadas pelo Comitê.
2.3 TECNOLOGIAS ASSISTIVA NA INCLUSÃO ESCOLAR
Os desafios dessa nova sociedade conhecida como sociedade do conhecimento e que está permeada por novas possibilidades e exigências referentes ás realidades mundo de hoje estão ligadas ás implicações dessa nova realidade nas relações dos seres humanos entre si, é também nas suas relações com os conhecimentos, saberes e informações. Com isso, é imprescindível analisar estas novas relações com a humanidade com seus próprios processos de aprendizagem, no interior desses recém surgidos contextos e ambientes. Dessa forma, existem atualmente novos recursos e ambientes de interação e aprendizado, possibilitados pelas tecnologias assistivas, surgem como fatores estruturantes de diferentes alternativas e concepções pedagógicas.
De acordo com Filho (2010), no campo educacional, a tecnologia Assistiva vem se tornando cada vez mais, uma ponte para abertura de um novo horizonte nos processos de aprendizagens e desenvolvimento de alunos com deficiência até bastante severas.
Ao abordar o assunto da TA na educação, Bersch
(2008, p. 2) defende que a tecnologia assistiva
precisa ser entendida como “{…} um auxílio que promoverá a ampliação de uma
habilidade funcional ou deficitária, ou ainda, que possibilitará a realização
de uma função desejada e que se encontra impedida”, devido a uma limitação em
termos fisiológicos e psicológicos, inatos ou adquiridos pelos sujeitos. O
acesso a TA na escola permite aos participantes até então destoantes dos
padrões normais e àqueles atingidos por estigmas sociais a possibilidade de
assumir um papel mais ativo na própria dinâmica de aprendizagem e no processo
conjunto de interações sociais.
A TA na educação vai além do mero auxílio ao
estudante para realizar as tarefas escolares, abrindo possibilidades para novas
perspectivas formativas do processo de desenvolvimento humano, para que o
sujeito possa atuar de forma solidária, sensível, construtiva e dialética com o
outro e com o mundo alicerçado na metamorfose do aprender. Recentemente,
verifica-se uma grande diversidade de recursos tecnológicos para assegurar
condições de acesso e reabilitação de pessoas com limitações em termos de
incapacidades sensoriais, motoras, cognitivas e de aprendizagem, de linguagem e
oralidade, de mobilidade e autonomia, do relacionamento interpessoal e da
participação social, abrindo para outras sensibilidades e para a melhor
expressão e contextualização dos problemas educativos e de uma cidadania
crítica.
Debater
sobre a inclusão significa abordar as noções políticas, os interesses sociais,
os recursos técnicos e as práticas pedagógicas, no sentido de sensibilizar os
conhecimentos no encontro com o outro e afirmar o diálogo com a formação de
professores para nortear a força de trabalho inclusivo na escola. As questões
profissionais e econômicas estão atreladas à produção da deficiência na
atualidade e aos projetos pedagógicos que giram em torno das questões técnicas de
ensino, da definição dos conteúdos curriculares a serem ensinados e da
organização institucional do ensino. A preocupação e o planejamento com
respeito à formação e à capacitação humana para trabalhar com as deficiências
com foco nas práticas e nas experiências de inclusão, pela via da TA, iniciam
nas diretrizes do Ministério da Educação somente por volta de 2000 (MASINI,
2011).
O
processo formativo e educativo carece de uma recuperação do sentido
eminentemente social da relação pedagógica, uma vez que é preciso reconhecer o
estudante com deficiência como alguém capaz de aprender e obter novos
conhecimentos com os outros atores envolvidos, a partir de técnicas de mediação
de conflitos ou utilizando experiências com práticas dialógicas e relacionais.
Nesse sentido, a teoria de reconhecimento pode contribuir para pensar a
educação, justamente porque expressa a necessidade do enfrentamento dos
desafios do pluralismo social e cultural, segundo o laço social tornado
emocional de uma aprendizagem intersubjetiva. O reconhecimento do sujeito
enquanto princípio da inclusão pode ser compreendido na prática escolar como um
processo constante de auto-reflexão e transformação. “A prática da inclusão
implica no reconhecimento das diferenças dos alunos e na concepção de que a
aprendizagem é construída em cooperação a partir das solicitações do meio,
tendo o sujeito de conhecimento como um sujeito autônomo” (FIGUEIREDO,
2010, p. 66).
2.4 Percepções de professores do ensino regular sobre recursos e
estratégias para o ensino de alunos com deficiência.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1999) apontam que, para o ensino do aluno com deficiência, há necessidade de modificação dos elementos curriculares, físicos, ambientais e materiais de ensino. As modificações podem ocorrer por meio da: 1) adaptação de materiais de uso comum em sala de aula; 2) adoção de sistema alternativo de comunicação adaptado às possibilidades do aluno; 3) adaptação dos elementos materiais, tais como, edifício escolar, mobiliário, materiais de apoio pedagógico; 4) adoção de métodos e técnicas de ensino e aprendizagem específicas para o aluno; 5) utilização de técnicas, procedimentos e instrumentos de avaliação distintos da classe, quando necessário, sem alterar os objetivos da avaliação e seu conteúdo; 6) priorização determinados objetivos e conteúdos (BRASIL, 1999).
Assim, a adaptação de recursos e estratégias é relevante na educação, pois, pretende-se, com as adaptações, atender às necessidades educacionais do aluno com deficiência, o que possibilita um ensino que respeite as características individuais dos alunos, desenvolvendo seu potencial, sua interação, descoberta e compreensão do mundo. Uma importante diferenciação deve ser feita entre recurso e estratégia para ensino.
Estratégia de ensino é um complexo de inúmeras variáveis possíveis. O critério importante na seleção da estratégia é conhecer o processo, suas características e implicações para o desenvolvimento da criança. É uma tomada de decisões sobre a organização da aula, a execução, avaliação e as especificações relacionadas ao ambiente. Tendo como contexto o ensino do aluno com deficiência física, mais especificamente o aluno com paralisia cerebral, Manzini (1999) e Manzini e Deliberato (2007) conceituaram o recurso pedagógico como um estímulo concreto, manipulável e que a esse estímulo seja atribuído uma ou mais finalidades pedagógicas. A utilização do recurso pedagógico e da estratégia de ensino deveria estar presente nas salas de aulas em diferentes momentos e situações, ou seja, nos momentos de avaliação, ensino e reavaliação (MANZINI; DELIBERATO, 2007).
O ensino do aluno com deficiência, matriculado
na classe comum, geralmente, exige uma variedade de recursos e estratégias não
utilizadas rotineiramente no contexto de ensino comum (BRASIL, 1999). Nesse
sentido, poder-se questionar: estariam presentes em sala de aula do ensino
comum, que tenham alunos com deficiência matriculados, recursos pedagógicos
adaptados? Como os professores dessa sala compreendem a necessidade desses
recursos? É possível identificar as percepções desses professores sobre os
recursos e as estratégias para o ensino de alunos com deficiência?
2.5
ATENDIMENTO
EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE): SERVIÇO DE APOIO/ SALA DE RECURSOS NA
CONCEPÇÃO INCLUSIVA
O serviço de apoio denominado Atendimento Educacional Especializado (AEE), e dentro dessa perspectiva, apontar a função da sala de recursos a partir da concepção inclusiva, como um trabalho pedagógico paralelo ofertado a esses alunos em horário inverso ao da sala regular que freqüentam. Apontar e caracterizar o Atendimento Educacional Especializado para as deficiências mental, visual, física e para pessoa com surdez, proporcionando assim um melhor esclarecimento da função social e pedagógica da sala de recursos, sob o ponto de vista dos teóricos defensores da educação inclusiva
A concepção de Educação Inclusiva presente na legislação brasileira determina que os alunos públicos alvo da educação especial estejam incluídos nas salas de aula regular. No sentido de favorecer esse processo de inclusão a escola deve oferecer, dentre outros serviços da educação especial, profissionais de apoio para atendimento a necessidades específicas dos estudantes. Neste contexto, nosso estudo propõe realizar a articulação desses serviços na prática de professores regentes e especialistas em Educação especial no ensino regular.
Ao discutir sobre a temática da inclusão escolar, assunto que gera grande polêmica na atualidade, nos deparamos com uma nova preocupação, a necessidade de serviços de apoio para ajudar o desenvolvimento do aluno com algum tipo de deficiência, no ensino regular. Assim, essa visão de que a inclusão é a mudança do sistema de ensino para atender o aluno com deficiência, vai além das transformações estruturais na escola, que englobam metodologia, currículo, avaliação e espaço físico. No entanto, além dessas mudanças essenciais para o acolhimento do aluno com deficiência no ensino regular, fazem necessárias outras mudanças, assim como as que abrangem as concepções de serviço de apoio essenciais para o processo de desenvolvimento do aluno, para que o mesmo obtenha sucesso no ambiente escolar.
A sala de recursos é parte do Atendimento Educacional Especializado que propõem à complementação do atendimento educacional comum, as atividades nesta sala devem ocorrer em horário diferente ao turno do ensino regular, para alunos com quadros de deficiências (auditiva, visual, física, mental ou múltipla) ou de condutas típicas (síndromes e quadros psicológicos complexos, neurológicos ou psiquiátricos persistentes) matriculados em escolas comuns, em qualquer dos níveis de ensino, considerando-se que na sala deve haver equipamentos e recursos pedagógicos adequados às necessidades especiais, o agrupamento dos alunos deverá ocorrer por necessidades especiais semelhantes e mesma faixa etária. De acordo com Fávero (2007, p.17) elas garantem “o direito a educação, direito humano”, fundamentais para o desenvolvimento social do aluno com necessidades educacionais especiais. No que se refere ao atendimento da sala de recursos, se resume ao número de 15 a 20 alunos por turma, sendo que o atendimento pode ser coletivo (até 08 alunos por grupo), devendo ser individualizado quando o aluno demandar apoio intenso e diferenciado do grupo, atendimento organizado em módulos de 50 minutos até 2 horas/dia; atendimento de alunos de várias escolas da região (BRASIL, 2007).
Podemos concluir então que não é o aluno que tem que se adaptar à escola, mas é ela que, consciente da sua função, coloca-se à disposição do aluno, tornando assim a escola um espaço inclusivo. A educação especial, portanto, é concebida para possibilitar que o aluno com necessidades educacionais especiais atinja os objetivos propostos para sua educação no ensino regular (BRASIL, 2004). A sala de recursos deve ser vista como um espaço organizado com materiais didáticos, pedagógicos, equipamentos e profissionais com formação para o atendimento às necessidades educacionais especiais.
Esse espaço pode ser utilizado para o atendimento das diversas necessidades, assim, uma mesma sala de recursos, pode ser organizada com diferentes equipamentos e materiais, tendo capacidade atender, conforme cronograma e horários diferenciados, alunos surdos, cegos, com baixa visão, com deficiência mental, com deficiência física, com deficiência múltipla ou com condutas típicas, desde que o professor tenha formação compatível, além de também poder promover apoio pedagógico ao professor da classe comum do aluno (GOMES ET AL, 2007).
3
CONCLUSÃO
Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação, de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social (CAT, SEDH, 2007). Nesta área temática, há um reconhecimento da evolução dos conceitos e práticas de TA para um modelo biopsicossocial, que exige o reconhecimento do usuário como foco central das ações em TA, o envolvimento integrado de profissionais de várias áreas de conhecimento, a avaliação destas novas práticas.
A Tecnologia Assistiva (TA) é fruto
da aplicação de avanços tecnológicos em áreas já estabelecidas. É uma
disciplina de domínio de profissionais de várias áreas do conhecimento, que
interagem para restaurar a função humana. Tecnologia Assistiva diz respeito à
pesquisa, fabricação, uso de equipamentos, recursos ou estratégias utilizadas
para potencializar as habilidades funcionais das pessoas com deficiência. A
aplicação de Tecnologia Assistiva abrange todas as ordens do desempenho humano,
desde as tarefas básicas de autocuidado até o desempenho de atividades
profissionais.
De acordo
com Fernandes (2009), o que
produz a humanização e determina a desumanização do ser humano não é a
distinção físico-mental ou sensorial, mas as visões limitadoras da segregação
social, historicamente perpetuadas, em forma de estereótipos excludentes.
Trabalhar com as pessoas (respeitando suas deficiências e limitações) a partir
da TA como elemento complementar das práticas sociais aparece como uma nova
possibilidade de abertura formativa (linguagem/mundo) e intersubjetiva à
diversidade da existência. Certamente, as práticas pedagógicas são afetadas por
essa compreensão, conduzindo a uma mudança em sua própria natureza - marcada
pela instrumentalidade. A concepção e a organização das salas de recursos
multifuncionais, as quais integram o AEE, seriam modificadas com vistas a serem
espaços fluídos e receptivos à diversidade e à reconstrução de TA, tanto quanto
também são múltiplas às necessidades e às potencialidades de cada sujeito. É
preciso considerar que a questão da TA na escola cria condições para o
estabelecimento de novos padrões sociais de interação, possibilitando aos
sujeitos com deficiências se desenvolverem e exercitarem sua condição humana no
convívio com o outro, através de processos de sensibilização, inclusão,
reconhecimento e cidadania.
Por essas razões, é imprescindível a oferta de uma
rede de apoio com diferentes profissionais, criando-se uma cultura que
incorpora a deficiência e a diferença como manifestações da condição humana,
que merecem ser compreendidas na experiência do reconhecimento mútuo. No palco
dos conflitos sociais, as deficiências, muitas vezes, representam e determinam
a maneira como criamos e fazemos uso dos artefatos técnicos.
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