Comunicação alternativa e aumentativa .
Comunicação
Alternativa e Aumentativa (CAA): definição, objetivos e recursos
A Comunicação Alternativa e Aumentativa, que são as formas de comunicação que utilizam língua de sinais, expressões gestuais e faciais, recursos de Tecnologia Assistiva como pranchas de alfabetização com símbolos pictográficos e softwares para diminuir o distanciamento e o sentimento de desamparo das pessoas com deficiência de comunicação e estimular a sua interação com os demais integrantes de uma conversação ou diálogo: o falante e o ouvinte (GLENNEN, 1997).
Segundo Miranda e Gomes (2004), a Comunicação Alternativa e Aumentativa diz respeito aos meios de comunicação cujo objetivo seja a suplementação ou a substituição das capacidades de comunicação, por meio da verbalização ou da escrita, e que se estão comprometidas total ou parcialmente em alguns indivíduos.
De acordo com Pelosi (2000), a Comunicação Alternativa e Aumentativa começou a ser utilizada na cidade de São Paulo, no final da década de 1970, na Associação Educacional Quero-Quero, que reunia uma escola especial e um centro de reabilitação, utilizando um sistema de comunicação canadense denominado Sistema BLISS.
No Rio de Janeiro, a divulgação da Comunicação Alternativa e Aumentativa nas escolas municipais se deu a partir de 1994, por meio de cursos ministrados aos professores itinerantes que acompanhavam os alunos com Paralisia Cerebral e através das pesquisas realizadas no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (NUNES; PELOSI; GOMES, 2007). Após esse período, há um interesse crescente pela área para o uso como recurso e estratégias de ensino para implementação e desenvolvimento da linguagem alternativa.
1.1 A Comunicação Aumentativa e Alternativa: os recursos para o contexto escolar .
Você deve saber que muitos alunos atendidos no contexto escolar apresentam alterações na fala e/ou na escrita, seja devido às dificuldades motoras, cognitivas, emocionais ou outros fatores. As barreiras para a comunicação falada e escrita afetam a funcionalidade e impedem que esses alunos possam expressar seus conhecimentos, necessidades e sentimentos, sendo comum que as pessoas conhecidas desses alunos acreditem que essas restrições de comunicação os impossibilitem de conhecer, aprender, gerenciar a sua própria vida e de serem autores de sua própria história. Esse é o caso, por exemplo, dos alunos com Paralisia Cerebral sem comunicação, dos alunos com surdocegueira, dos que possuem deficiência intelectual e de outros casos em que há limitações na comunicação com os pares ou quando os indivíduos se tornam mais passivos e dependentes da atenção de adultos. O uso da Comunicação Alternativa e Aumentativa, também, se aplica às pessoas com TEA que apresentam ausência ou dificuldades no usa da fala. Segundo Togashi e Walter (2016), pesquisas sobre o uso da Comunicação Alternativa e Aumentativa com pessoas com TEA vêm apresentado uma melhora significativa no desenvolvimento da comunicação e da linguagem dessa população.
Nesses e em outros casos, parece ser comum que as famílias, os cuidadores, os amigos e os professores tenham uma tendência a antecipar e atendam às necessidades dessas pessoas. Além disso, uma decorrência comum da dificuldade de expressar os sentimentos e necessidades é o comportamento agressivo ou a rejeição do conhecimento, pois quando estão compreendendo o que ocorre ao redor, eles não conseguem comunicar os seus sentimentos e opiniões a respeito disso, o que os leva à frustração e à agressividade. Com isso, alunos com barreiras na comunicação, em algumas situações, não participam de atividades com educacionais que envolvem a fala e escrita, porque não são todos os professores conhecem estratégias e alternativas de comunicação para poder adaptar as atividades e os incluir. Logo, para possibilitar que esses alunos tenham condições para expressarem as suas habilidades, sentimentos, dúvidas e necessidades, é necessário pesquisar e construir maneiras de compreender recursos, técnicas e estratégias de comunicação para saber como estão processando e construindo conhecimentos.
A área da Tecnologia Assistiva que se destina especificamente à ampliação de habilidades de comunicação das pessoas sem fala, sem escrita funcional ou em defasagem de comunicação, devido às dificuldades para falar e/ou escrever denominada de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA).
De acordo com a definição de Bersch e Schimer (2005), a Comunicação Aumentativa e Alternativa é uma das áreas da Tecnologia Assistiva que atende as pessoas com barreiras na comunicação, ou seja, sem fala ou escrita funcional ou em defasagem entre a sua necessidade comunicativa e habilidade em falar e/ou escrever. 24 Os objetivos da CAA são: valorizar as formas de expressão do sujeito e de metodologias para construir e ampliar as vias de expressão e compreensão, por meio de recursos variados como pranchas de comunicação com simbologia gráfica, letras e/ou palavras escritas, utilizados para a pessoa expressar os seus questionamentos, desejos, sentimentos e compreensões.
A Comunicação Aumentativa e Alternativa, portanto, viabiliza recursos como as pranchas de comunicação construídas com simbologia gráfica, letras e/ou palavras escritas, utilizados pelo usuário para expressar os seus questionamentos, desejos, sentimentos e compreensões. Os meios de comunicação derivados do uso de gestos e de expressões faciais, figuras e símbolos são empregados de forma substitutiva e/ou suplementar para o apoio à fala e para ajudar a desenvolver, se possível, a linguagem oral (NUNES; PELOSI; GOMES, 2007).
Entre essas formas expressivas temos os gestos e expressões faciais que denotam as ideias de sim, não, olá, tchau, dinheiro, banheiro, “estou bem”, “tenho dor”, quero (determinada coisa para a qual estou apontando), dentre outras expressões usadas no cotidiano. Dessa forma, a tecnologia avançada permite a utilização de vocalizadores em pranchas com produção de voz sintetizada e o computador com softwares específicos, garantindo mais eficiência na função comunicativa.
Assim, os dispositivos e sistemas de Comunicação Alternativa e Ampliada (CAA) permitem uma comunicação significativa e com mais funcionalidade no contexto socioafetivo. Para ampliar o repertório comunicativo que envolve as habilidades de expressão e compreensão, pode-se organizar e construir recursos como cartões e pranchas de comunicação, pranchas alfabéticas e de palavras, vocalizadores e/ou o próprio computador como ferramenta de voz e comunicação.
Os recursos para a comunicação de cada pessoa devem ser construídos de forma personalizada, tendo em conta as características que atendem às necessidades daquele usuário.
Referência:
NUTTI, Juliana Zantut. Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA):: definição, objetivos e recursos. [S. l.], 10 ago. 2022. Disponível em: https://kosmos-cronograma-anexo.s3.amazonaws.com/608897/a66cbbac-547b-4b9a-8257-ebd78493f651.pdf. Acesso em: 10 ago. 2022.
Comentários
Postar um comentário