- Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade



 O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é apontado como uma síndrome, por se tratar de um problema mental ou transtorno da adaptação não estático. Conforme descrição do DSM V (F90.0) e CID 10 (F90), a característica principal do transtorno condiz em um padrão persistente que interfere na atenção e impulsividade do indivíduo, impactando no seu desenvolvimento.

 A desatenção, manifesta-se na falta de responsabilidade de cumprir tarefas, ausência de persistência, dificuldade em manter a atenção e organização. Quanto a hiperatividade, refere-se à excessiva agitação motora, (ao correr, se remexer ou batucar em momentos impróprios), e à impulsividade que são decorrentes de ações premeditadas, podendo levar dano à própria pessoa, com necessidades imediatistas e imprudentes. Os sintomas surgem na infância e perduram até à vida adulta, provocando prejuízos e desajustes acentuados, nas relações sociais, acadêmicas e ocupacionais, pois, sua manifestação agrupa mais de um ambiente. Os sintomas tendem a durar por, no mínimo, seis meses de duração. Para Abreu (2006), o TDAH é um dos transtornos psiquiátricos mais comuns na infância, e cerca de 3% a 5% das crianças em idade escolar são diagnosticadas com este transtorno.

 Há uma prevalência maior em meninos do que meninas, e pesquisas apontam que para cada dez (10) meninos, uma (1) menina é diagnosticada. Essa diferença parece decorrer devido ao comportamento agressivo e impulsivo do sexo masculino; outros estudos mostram que as meninas tendem a ser mais desatentas do que os meninos, apresentando a forma de TDAH do tipo de desatenção. A origem do TDAH não é bem definida, mas acredita-se na proveniência multifatorial que envolve aspectos variados, porém, a presença da herança genética é notória. Sua definição é neurobiológica, ao associar genética e ambiente, cuja junção interfere na condição comportamental. Teixeira (2011) aponta quatro conjuntos relacionado às causas principais: a genética, que é a condição adquirida de pais para filhos; neuroquímicas, em que se descreve que os cérebros de crianças com TDAH apresentam desajustes das substâncias químicas que são responsáveis pela atenção; complicações na gravidez, relacionadas à modificação fetal por motivo de alteração ou agressão (desnutrição materna, uso drogas lícitas e ilícitas na gestação) e parto muito demorado, sofrimento, má saúde da genitora, baixo peso, infeção do sistema nervoso, traumatismo, intoxicação e envenenamento por chumbo; fatores sociais, não condiz à criação parental, mas, suspeita de um ambiente familiar caótico, com abandono, agressões e maus tratos, situações ocorridas no período de maturação cerebral.

 Crianças com TDAH apresentam detrimento acadêmico elevado, devido à dificuldade em manter a atenção (não que sejam incapazes), focar em assuntos importantes, detalhes, organização de material, finalizar tarefas, dificuldade em realizar exercícios/provas e seguir instruções. Tais prejuízos no decorrer da vida escolar, causam baixo rendimento, perda da autoestima, tristeza, desmotivação e retenção; a longo prazo, caso não tenha acompanhamento especializado, há ocorrência de dano das relações sociais, depressão, evasão escolar, uso desmedido de drogas lícitas e ilícitas. O transtorno interfere na baixa capacidade atencional, dificuldade de planejamento, estratégia e memória operacional, denominada como função executiva (FE). Seus mecanismos (FE) desempenham papel fundamental nos processos cognitivos, pois, são responsáveis pela habilidade de planejar, resistir a estímulos alheios, atender a mais de uma informação, sequenciar comportamentos complexos, filtrar contextos, enfrentar interferências, impossibilitar respostas inadequadas e manter comportamento apropriado por longo período.

 A alteração está localizada na região pré-frontal, cujo circuitos cerebrais estão associados ao controle da atenção e à imensa quantidade de receptores de dopamina e noradrenalina, responsáveis pela manutenção atencional, tornar alerta diversas atitudes e pensamentos, prontidão à respostas, manter a informação frente à distração, capacidade de planejar, controle de comportamento inadequado, resolver problemas, mudar estratégias e adaptar novas possibilidades. Neto (2010) afirma [...] os neurônios das áreas pré-frontais diferentemente de outras regiões cerebrais, apresentam a habilidade de manter uma informação online mesmo diante de estímulos distratores [...]

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